terça-feira, 13 de junho de 2017

O buquê da noiva

Sair dizendo aos outros que no Dia dos Namorados você deu flores à pessoa que você ama não tem graça, mas dizer como o presente chegou a suas mãos são outros quinhentos. Contando os dias para cancelar meu cartão de crédito, que, desde o ano passado, quando comecei a usá-lo, só tenho comprado o necessário, como o leite em pó e as fraldas de meus filhos, e com menos de 10 reais no banco, eu iria deixar o tão esperado dia passar como outro (não gosto da palavra “qualquer”), mas, como a vida é mesmo uma caixinha de surpresa, fui surpreendido quando cheguei à casa de um vizinho que me havia chamado para buscar um pedaço de bolo e uns docinhos da festa que ele e a esposa realizaram no último sábado, na qual minha família e eu tivemos o prazer de estar. Antes de pegar as malas e entrar no carro para fazer uma viagem de lua de mel na Bahia, muito gentil e como se quisesse que as flores que enfeitaram a mesa da festa do casamento dela fossem admiradas um pouco mais antes de murcharem, minha mais nova vizinha deu o arranjo para eu levar para a menina dos meus olhos, presente que eu gostaria que ela recebesse como se tivesse pegado o buquê da noiva, fazendo-me acreditar que, se a moça com a qual moro há seis dos vinte anos que a conheço não se cansar da difícil vida que leva comigo, ainda vai se casar comigo. Conseguido do jeito como foi, o presente que dei à mãe dos meus filhos pode até não tê-la agradado tanto quanto me agradou o pão com cobertura de chocolate e recheio de doce de leite que ganhei dela, mas a gentileza com a qual todos os dias tento compensá-la por tudo o que, sem dinheiro, não lhe posso dar não tem preço.

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