domingo, 25 de junho de 2017

A trabalhosa hora de acordar

Se a mãe de Mitsuo voltasse mais cedo do trabalho, nós iríamos dormir, como se dizia na roça, com as galinhas, porque só assim para ele não dar tanto trabalho na hora de acordar para ir para a escola. Chamo de um lado, ele vira para o outro, chamo do outro, ele volta à posição em que estava deitado, puxo a coberta, ele se encolhe, chacoalho-o dos pés à cabeça, ele resmunga, chuta, mas levantar, que é bom, nada, nem abre os olhos, como se eu precisasse vê-los abertos para saber que ele está me ouvindo. Nem adianta Priscilla, que já acorda com o tempo contado para trocar de roupa, preparar a marmita, tomar café, não necessariamente café, para ir para o trabalho, tentar tirá-lo da cama, porque a tarefa não é nada fácil. O jeito é trocar a roupa dele com ele deitado mesmo, às vezes, pedindo ajuda e ouvindo-o dizer que não gosta mais de mim. A vontade de ficar na cama é tanta que ele tomba sobre o sofá e até sobre a mesa do café, que ele ainda não toma. Não sei quantas vezes ainda vou ter de repetir a ele que pare de enrolar na hora de ir dormir. Mal me sento para assistir ao Jornal Nacional ou, com muita sorte, ao Jornal da Cultura, já ouço a mãe dele dizendo que está na hora de ele ir para a cama, o que, com muita resistência, ele faz depois de vestir a fralda, orar, pedir uma massagem e água, que, não sei por que, ele só pede depois que apago a luz. Só para contrariarem, no fim de semana e no feriado, quando poderiam dormir até tarde, meus filhos acordam cedo, como aconteceu na data do fechamento deste texto, quando, por volta das 6, Amy já estava chamando, e não era o papai, para tirá-la do berço.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.