terça-feira, 4 de abril de 2017

Não estou podendo


A ficha caiu, virou peça de museu, mas o orelhão continua de pé, nem que seja só para as pessoas colarem anúncios de programas sexuais, picharem ou, o que é pior, quebrarem. Apesar da vergonhosa situação em que se encontra o telefone cuja cabine já dá para ver de longe por que ele tem o nome que tem, é mais fácil achar um cartão em minha carteira do que crédito em meu telefone móvel, porque não estou podendo. Não mesmo, pois já chega o gasto que tenho com o telefone fixo e com o serviço de conexão com a internet, sem contar o que minha mulher paga todo mês para não ser mais uma proprietária de um celular que só recebe ligações nem precisar procurar um telefone público, que, quando não se encontra quebrado, às vezes só ficando o fio pendurado, está mudo. É muito dinheiro para quem cada vez mais tem tido pouca coisa importante para dizer e muito menos para ouvir. Como, depois que comecei a trabalhar em casa, só tenho carregado o celular para meus filhos tirarem e verem fotos e bagunçarem a configuração, razão pela qual, para deixar minha mulher furiosa, a maioria das chamadas não é atendida, não posso reclamar que ninguém liga para mim, nem mesmo a pessoa que mais parece que tem estado a fim de falar comigo: minha mulher.

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