segunda-feira, 17 de abril de 2017

O lado bom de ter um nome horrível

A fim de tentar melhorar a revisão da transcrição de Mamãe Precisa Casar (My Mothers Future Husband) que eu havia recebido, fiz o que deveriam fazer todos os colegas que revisam transcrição, (re)li o texto ouvindo o áudio, ou, melhor, assistindo ao vídeo, porque, acostumado a ver transcrições com trechos incompletos, principalmente quando o áudio não está bom ou o assunto da fala não é dominado por quem faz a transcrição, ou diferentes da fala (não é à toa que Oswald de Andrade disse que a gente escreve o que ouve, nunca o que houve), não confio nem no que eu mesmo escrevo. Em uma das cenas, na aula de redação, a personagem Headly, uma adolescente que precisa arranjar um marido para sua mãe, que não se desgruda dela, não dá um tempo para ela viver a descoberta da paixão, diz o seguinte sobre sua segunda “má sorte” (a primeira foi a morte do pai): “O lado bom, provavelmente o único lado bom de ter um nome horrível, que nem o meu, é que você sente solidariedade por outras pessoas que também têm nomes horríveis, como...” Naasson, o primeiro nome com o qual fui registrado. Mas não fui o único dos filhos de meu pai a receber um nome que dá o que falar, suscita comentários maldosos ou gargalhadas. Até conseguir mudar seu nome, Victor sofreu muita gozação, principalmente na escola, por se chamar Atanagildo, diferentemente de Tânia, que teve a sorte de, não sei como, se livrar de seu indesejável Cornustíbia, e de Afif, que parece que nunca se sentiu incomodada por causa de seu nome árabe e, no Brasil, de homem. Acho que nem se os irmãos tivessem vergonha de se olhar no espelho mereceriam ganhar um nome constrangedor. A escolha do nome de um filho não é tarefa fácil, porque o que agrada à mãe nem sempre soa bem aos ouvidos do pai. Um nome pode até parecer bonito tanto para um quanto para o outro, mas quem é que gostaria de ter um filho com o mesmo nome de, por exemplo, um desafeto? Há filhos que são tão infelizes com o nome que ganharam dos pais que, quando não sofrem ao revelá-lo, têm de se dar ao trabalho de dizer como ele é escrito, se com letras dobradas, com “h”, “k”, “w” ou “y”, castigo a que estarão sujeitos até o fim da vida.

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